MANIFESTO DO XII ENCONTRO INTERNACIONAL HANNAH ARENDT E DO II SEMINÁRIO ADUFEPE 40 ANOS

Pesquisadores de Filosofia, Direito, Educação, Ciências Políticas, entre outras áreas do conhecimento, reunidos no XII Encontro Internacional Hannah Arendt: Democracia, Soberania e Direitos Humanos e no II Seminário ADUFEPE 40 anos, realizado de 28 a 30 de maio de 2019, na Universidade Federal de Pernambuco, na cidade de Recife (PE), vêm a público manifestar seu repúdio contra os ataques e as perseguições desferidos pelo governo federal contra a Universidade Pública e, em especial, às áreas de Filosofia e Sociologia.

Nos últimos meses, o governo federal tem fomentado uma campanha agressiva e desonesta contra a Universidade Pública, por meio de declarações na imprensa do presidente, do ministro da Educação e de parlamentares governistas, além da disseminação de fake news pelas redes sociais. O objetivo é estigmatizar a Universidade como um espaço de “balbúrdia”, que não tem cumprido as suas funções de ensino, pesquisa e extensão, ignorando todo o avanço que o ensino superior público no Brasil alcançou nas últimas décadas, com uma produção de conhecimento de altíssima qualidade e reconhecida internacionalmente.

Essa imagem negativa que se procura associar à Universidade faz parte de uma estratégia deliberada para justificar os brutais cortes orçamentários promovidos pelo Ministério da Educação e as ameaças contra a autonomia universitária, garantida pela Constituição Federal. Além do propósito claro de inviabilizar o ensino superior público, abrindo espaço para a sua privatização, a ação do governo contra a Universidade pública é uma demonstração evidente do caráter autoritário dos atuais ocupantes do poder central no país, na sua tentativa de sufocar o pensamento crítico, cujo espaço por excelência é o meio acadêmico.

Também é de suma importância dizer que a política de desvalorização do ensino público superior empreendida pelo atual governo compromete seriamente todo o esforço realizado nos últimos anos para garantir o acesso das camadas mais pobres e marginalizadas da população à Universidade pública.

No que diz respeito especificamente à Filosofia e à Sociologia, os recentes ataques do ministro da Educação, apoiados pela Presidência da República, classificando essas áreas do conhecimento como “inúteis”, demonstram uma visão tacanha da educação, valorizando apenas uma perspectiva utilitarista e tecnicista e desconsiderando o aspecto formativo do processo de ensino-aprendizagem, nas suas dimensões crítica e ética. Também demonstram uma completa ignorância acerca da própria dinâmica do desenvolvimento científico e tecnológico, ao desprezar a importância histórica e crítica da Filosofia e da Sociologia para as demais áreas do saber e para o avanço da ciência e da tecnologia.

A Filosofia e a Sociologia são indispensáveis para o desenvolvimento humano, para o seu aprimoramento cultural e social, porque incentivam a reflexão e a pluralidade de perspectivas. Por isso uma sociedade verdadeiramente democrática, aberta e plural, não pode jamais prescindir dessas duas áreas do conhecimento, sob pena de resvalar no obscurantismo e no autoritarismo.

Sendo assim, reiteramos nossa disposição de nos mantermos alertas e mobilizados contra as ameaças à Universidade Pública e, em especial, contra os ataques à Filosofia e à Sociologia, denunciando publicamente atos de censura e perseguição contra o meio acadêmico. Também reiteramos nosso compromisso com o ensino, a pesquisa e a reflexão, no nosso propósito de lutar por uma sociedade mais democrática, fraterna e justa.

Recife, 31 de maio de 2019.

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